
“Mas, o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: E acontecerá nos últimos dias, diz o SENHOR, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne…” (At 2:16-21). “Sabe, porém, isto: Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis…” (2 Tm 3:1-9).
Estes dois textos são mutuamente contraditórios. O primeiro enfatiza o progresso do Reino, mostrando a atuação inconfundível e impactante do Espírito Santo nos últimos dias; o segundo soa como uma advertência quanto às dificuldades a serem enfrentadas também nos últimos dias. Um traz expectativa e o outro medo, pessimismo. A contradição dessas duas profecias expressa fielmente a situação pela qual passa a igreja atualmente. Por um lado, estamos experimentando coisas fantásticas, com grande crescimento, derramamento extraordinário do Espírito Santo, expansão do Reino, conscientização quanto à missão integral da igreja, entre outras coisas.
Por outro lado, presenciamos as maiores esquisitices, como mercantilização da fé, esfriamento do amor fraternal, desconsideração à ética cristã; sem falar que os fortes apelos ao avivamento e crescimento da igreja têm, eventualmente, se transformando em grandes movimentos ideológicos de manipulação.
E creio que primordialmente a igreja relevante será a igreja do amor. O que atrairá as pessoas, não serão sermões eruditos e eloqüentes, nem as promessas de prosperidade em troca de contribuições financeira, nem tão pouca as manifestações dos dons espirituais, apenas.
O que realmente pode agregar as pessoas em tempos tão cruéis é o amor. A igreja precisa oferecer colo, ninho, abraço e afeto. E deve oferecer tudo isto indistintamente, sem qualquer acepção. A igreja deve ser a casa de misericórdia, onde as pessoas têm prazer em se achegar. Conseguinte ao amor, vejo que para ser relevante, a igreja tem que lutar contra o culto à personalidade e ensinar que a glória é do SENHOR, pois, é Ele quem salva, liberta, cura, batiza com o Espírito Santo e abençoa.
A igreja tem que ser conhecida como amiga de pecadores e inimiga tenaz do pecado. Não pode ser conivente com o pecado, mas deve abraçar os pecadores. A igreja tem que ter o compromisso de pregar e ensinar a Palavra de Deus, com uma linguagem culturalmente ajustada e com unção, de tal maneira que as pessoas sejam tocadas, as distorções corrigidas, caráter reto estimulado e a ética do Reino vivida intensamente.
A igreja deve administrar seus recursos financeiros com transparência, ética e responsabilidade, visando sempre o bem estar de todos. Deve ser uma igreja missionária, disposta a pregar em Jerusalém, Judéia, Samaria e até os confins da Terra. A igreja deve ser generosa, bondosa e solidária.
A preocupação com o bem estar social deve ocupar o espaço relevante em sua agenda, procurando atingir o homem integralmente: espírito, alma e corpo. A igreja deve dar o pão ao faminto, água ao sedento, roupa a maltrapilho e teto ao desabrigado, enquanto cura os enfermos, liberta os oprimidos, prega a Palavra e profetiza. A oração deve ser estimulada; as pessoas devem ser ensinadas a ficar a sós com Deus, terem experiências com Ele e serem cheias do Espírito Santo, buscando com intensidade e zelo os dons espirituais.
A igreja deve ser imitadora de Jesus: Andar como Ele andou, amar como Ele amou, ser humilde e mansa como Ele foi. A igreja deve aliviar a carga dos sobrecarregados, deve acreditar em quem não acredita mais em si mesmo e acima de tudo, deve “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.
Enfim, a igreja deve andar com os pés na Terra e a mente no céu; ser simples como a pomba e ao mesmo tempo astuta como a serpente; orar como se tudo dependesse de Deus e agir como se tudo dependesse dela mesma; amar, perdoar e viver com singeleza e simplicidade, e ser valente, altiva e determinada na luta contra o mal. Fazendo assim, eu creio que seremos relevantes e influenciaremos positivamente a nossa geração, e um genuíno avivamento acontecerá em nossos dias. E como resultado desse avivamento, vidas serão salvas, transformadas e santificadas pelo poder do testemunho da igreja e assim superaremos a contradição dos nossos dias, vivendo em triunfo apesar dos “ tempos difíceis”.
Pastor José Nivaldo