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O Que Estava no Centro da Oração de Jesus? (Pr. José Nivaldo de Oliveira)

Artigos e Ilustrações

João 17

          O meu coração tem estado cheio de preocupações sobre o modo como a vida cristã tem sido vivida em nossos dias. Há muito compromisso com a individualidade, com o mundo particular da família nuclear. As pessoas têm se mostrado incapazes de abraçar uma causa mais coletiva e de, se necessário, morrer por ela. Não há mais disposição para o sacrifício; temos nos tornado intolerantes ao sofrimento e à dor solidária. Estamos obcecados pelo sucesso, pelo prazer, pela satisfação individual imediata. Em nome de um do direito supremo à felicidade, temos tido dificuldade de renunciar e de conviver com a vida dando errado. E o que tem me chocado é a fragilidade da igreja contemporânea em apontar caminhos seguros e alternativos a serem trilhados.

Foi nos vendido em algum momento, que tudo tem que dar certo; ensinaram-nos que é errado conviver com coisas dando errado, e que Deus é o nosso grande parceiro e o patrocinador do sonho de uma vida sem problemas. Tornamo-nos agentes e vítimas de um evangelho, repetido dia a dia, em cuja mensagem a estética sobrepuja a ética, a prosperidade sobrepuja a justiça e a individualidade sobrepuja a comunidade.

É nesse contexto que quero trazer à tona o texto de João 17, quando o Senhor Jesus ora ao pai. Começo enfatizando uma verdade: se você quer conhecer alguém profundamente, ouça suas orações. Porque na oração, os anseios mais profundos do coração acabam vazando em palavras. Vêm à superfície as angústias, os desejos, os sonhos, as preocupações. A oração revela as nossas verdades mais íntimas. Quanto mais privativas as nossas orações, mais verdadeiras são; quanto mais públicas, mais falsas e hipócritas. Por isso é que o Senhor Jesus disse que, ao orar, deveríamos buscar o quarto a portas fechadas, em vez de orarmos nas esquinas diante dos homens. Diante de uma plateia, o coração se deixa seduzir pelo aplauso, pela necessidade de aceitação e elogio. Mas é a oração íntima, aquela lá da madrugada, que só você e Deus sabem o que se passa, que revela a profundidade do coração.

No capítulo 17 de João, Jesus revela as profundezas de sua alma. Encontramos aqui o que realmente preocupava o coração de Jesus. Ao final do seu ministério terreno, Ele está angustiado. Ao se despedir de seus discípulos, mostra certa dúvida a respeito deles. Há uma inquietação. Jesus está incomodado, aflito e com uma angústia na alma, pois estava próxima a sua morte. Ele não tinha certeza de como as coisas iriam andar. Em sua oração, ele aponta quatro coisas que o preocupavam muito em relação aos seus discípulos.

Jesus temia que os discípulos não permanecessem fieis à verdade. Ele diz ao Pai, no v. 6: Eu revelei o teu nome àqueles que do mundo me deste. Eles eram teus; tu os destes a mim, e eles têm obedecido à tua palavra. No v. 8 e 14, Ele diz: (8) Pois Eu lhes transmiti as palavras que me deste, e eles as aceitaram. (14) Dei-lhes a tua palavra. No v. 17, Ele espera que os discípulos sejam santificados na verdade: Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. No v. 19 Ele diz: que eles sejam santificados pela verdade. O que vemos nesta oração é que Ele está muito preocupado; teme que a verdade seja negociada em algum momento. Ele está muito preocupado se os discípulos continuariam sendo homens de convicção, capazes de dizer: eu concordo, eu discordo; capazes de dizer: isso sim, isso não. Jesus está dizendo o seguinte: Eles não estão livres para acreditar em qualquer coisa, no que lhes convém, naquilo que lhes favorece. Eu dei a eles uma palavra; eu dei a eles uma verdade e esta verdade precisa ser abraçada, preservada e propagada. E Ele tinha dúvidas se eles conseguiriam abraçar essa verdade.

Jesus temia que os discípulos não conseguissem passar pela lama do mundo sem se sujar com ela. Ele temia se eles conseguiriam manter a vida limpa, pura. Ele temia se eles conseguiriam entender que estão no mundo, mas não são do mundo. Ele temia se eles conseguiriam se santificar. Se santificar significa se purificar, mas significa também se separar para Deus. E Jesus está dizendo: Eu tenho receio de que esse pessoal sacrifique valores e comprometa a verdade.

Jesus temia que os discípulos não conseguissem manter a palavra de uns para com os outros, a unidade. Jesus temia que seus discípulos não mantivessem os vínculos de relacionamentos construídos e o compromisso mútuo. Como assim? Eles vão romper a corda. Quando tiverem que escolher entre o “eu” e o “outro”, eles escolherão sempre o “eu”. Eles não estarão dispostos a morrer por ninguém! Eles não estarão dispostos a dar a vida por ninguém. Ele tinha dúvida se os seus discípulos conseguiriam construir relacionamentos definitivos. No v. 22 e 23 ele diz: Dei-lhes a glória que me deste, pra que eles sejam um, assim como nós somos um: neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade, par que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste. Jesus temia que a cruz deixasse de ser cruz e se tornasse um pau na vertical, onde todos conseguem olhar para Deus em busca de socorro apenas individual. Jesus temia que a haste horizontal, que une a humanidade até os confins da terra, fosse esquecida.

Jesus temia que os discípulos não conseguissem olhar para fora do seu pequeno mundo, e se apaixonassem mais por eles mesmos que pelo mundo, deixando de lado sua missão. Ele temia que eles não saíssem para o mundo, mesmo tendo sido enviados. No v. 18, Ele diz: Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo. Ele temia que eles sacrificassem a missão. Ele temia que eles deixassem de existir para o outro e passassem a existir apenas para si mesmos, se tornando autocentrados. Jesus sabia que se eles não rompessem o círculo do ego, o mundo não veria e nem ouviria a mensagem. Jesus temia que os discípulos se tornassem omissos, apáticos e orgulhosamente mortos, não fazendo a menor diferença no mundo espiritual. Jesus temia uma igreja encastelada, ensimesmada.

A oração de Jesus em João 17 me leva às seguintes perguntas: o que aflige você em sua suas orações? O que faz você chorar quando ora? Que preocupações tem tomado conta de sua oração? Em algum momento você orou assim: Senhor, eu choro por ver a mentira ganhando o lugar da verdade. Senhor, eu choro porque deixei pessoas para trás. Eu choro porque o individualismo está ocupando o espaço da unidade. Estou angustiado porque, como igreja, temos quebrado a palavra, o vínculo, a unidade. Eu choro porque a verdade foi diluída. Estou profundamente triste porque todos estão em busca de felicidade pessoal e individual, sem se preocupar com nenhuma causa coletiva.

Se você tiver que chorar por alguma coisa hoje, chore por amor à verdade, chore por um compromisso de santidade, chore por um sacrifício de unidade, chore por um engajamento missionário. Chore mesmo! Porque Jesus chorou por você!

Pr. José Nivaldo de Oliveira

 

 

 

 

 

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